What’s new in MSK Imaging (Portuguese) – April 2021

12 meses ago

 

Avaliação do “Phantom” de Tomografia Computadorizada (TC) de 67.392 exames de Acreditação  do Colégio Americano de Radiologia (ACR): Implicações para o rastreio oportunístico de osteoporose usando TC

Robert D. Boutin, MD, Andrew M. Hernandez, PhD, Leon Lenchik, MD, J. Anthony Seibert, PhD, Dustin A. Gress, MS e John M. Boone, PhD

American Journal of Roentgenology

https://www.ajronline.org/doi/abs/10.2214/AJR.20.22943

Contexto: O uso da tomografia computadorizada para triagem de osteoporose é possível devido à maior disponibilidade de software para medidas automatizadas da atenuação óssea e valores de atenuação óssea padrões de grandes coortes. O impacto da calibração do tomógrafo e a inconsistência das medidas de atenuação em diferentes fabricantes de tomografia dificultam a padronização dos parâmetros técnicos utilizados para a avaliação óssea por tomografia. Para estabelecer a validade técnica de um biomarcador quantitativo de imagem, é crucial determinar como um teste se sai em condições controladas, inclusive para determinação de viés (erro de medição sistemática). Na prática clínica, o controle de qualidade da tomografia computadorizada é comumente avaliado com um “phantom” de imagem padronizado contendo objetos de referência conhecidos. O “phantom” do ACR contém objetos de referência incorporados que permitem a avaliação de vários recursos, incluindo atenuação. Este “phantom”é amplamente utilizado, e os dados de acreditação são coletados pelo ACR de vários fabricantes de TC.

Perguntas: Existe um viés sistemático nas medições de atenuação entre os scanners de tomografia computadorizadas feitos por diferentes fabricantes? Qual é a relevância desse viés no rastreamento oportunístico de osteoporose?

Design: Estudo retrospectivo

Critérios de inclusão: Os dados de acurácia de atenuação (módulo 1) obtidos entre janeiro de 2011 e agosto de 2018 utilizando o “phantom” de credenciamento do ACR (modelo 464, Gammex) foram  retrospectivamente avaliados para apontar possíveis diferenças nas medições de atenuação entre quatro fabricantes de TC para o protocolo de tomografia abdominal adulto do ACR.

Métodos: Os dados sobre a acurácia da medição de atenuação foram adquiridos utilizando o phantom de credenciamento do ACR e foram avaliados de forma cega para quatro fabricantes de TC (8.500 submissões de credenciamento para o fabricante A; 18.575 para o fabricante B; 8278 para o fabricante C; e 32.039 para o fabricante D). O valor de atenuação para água, acrílico (substituto para osso trabecular) e materiais de Teflon (substituto para osso cortical; Chemours) para uma técnica de tomografia abdominal adulta (120 kV, 240 mA, algoritmo de reconstrução padrão) foram utilizados na análise. As diferenças no valor de atenuação entre todos os fabricantes foram avaliadas utilizando-se o teste kruskal-wallis seguido de um teste pós-hoc para comparações pareadas.

Principais Resultados: O valor médio de atenuação da água variou de −0,3 a 2,7 HU, com diferenças altamente significativas entre todos os fabricantes (p < 0,001). Para o substituto do osso trabecular, as diferenças nos valores de atenuação entre todos os fabricantes também foram altamente significativas (p < 0,001), com valores médios de 120,9 (SD, 3,5), 124,6 (3,3), 126,9 (4,4) e 123,9 (3,4) HU para os fabricantes A, B, C e D, respectivamente. Para o substituto do osso cortical, as diferenças nos valores de atenuação entre todos os fabricantes também foram altamente significativas (p < 0,001), com valores médios de 939,0 (14,2), 874,3 (13,3), 897,6 (11,3) e 912,7 (13,4) HU para os fabricantes A, B, C e D, respectivamente.

Conclusão: Os scanners de  TC feitos por diferentes fabricantes mostram variâncias sistemáticas na medida da atenuação quando comparados entre si. O conhecimento dessas variâncias é útil para otimizar a precisão do diagnóstico oportunístico da osteoporose.

Comentários dos editores seniores: Obrigado pelo trabalho útil. Os resultados auxiliarão na melhor atenção aos controles de qualidade e podem ajudar no diagnóstico de  osteoporose durante a triagem oportunística usando TC’s.

Mensagens para os residentes:

  • A tomografia computadorizada de várias partes do corpo pode ser usada para avaliação da osteoporose.
  • Coeficientes de atenuação são usados para avaliar a osteoporose
  • Há diferenças em várias medidas de atenuação entre diferentes fornecedores. O usuário deve estar ciente dessas variâncias, levando em conta os números da osteoporose.

 

Tomografia com Baixa Dose em Imagem Pélvica: Comparando dose e qualidade de imagem em relação ao valor clínico em um estudo com “phantom”

Carsten Hackenbroch, MD, Marius Feilhuber, MD, Daniel Halt, MD, Hans-Joachim Riesner, MD, Meinrad Beer, MD e Arthur Wunderlich, PhD

American Journal of Roentgenology

https://www.ajronline.org/doi/abs/10.2214/AJR.20.22907

Contexto: Com a radiografia convencional,  outras estruturas ósseas na imagem podem dificultar a avaliação das partes dorsais do anel pélvico. Avaliações definitivas de consolidação de fraturas ou de soltura de dispositivos de fixação interna são, portanto, difíceis de serem realizadas.  Com a tomografia, o anel pélvico dorsal pode ser visualizado sem ser obscurecido por estruturas ósseas. No entanto, a dose de radiação associada à tomografia computadorizada de dose completa é várias vezes maior do que a dose de até mesmo um exame radiográfico de três incidências. Neste estudo com “phantom”, são comparadas as medidas de dose, a qualidade da imagem objetiva e subjetiva e os cálculos de figura de mérito (FOM) entre a radiografia convencional e a TC realizadas com e sem filtragem de metal, para determinar a técnica de imagem ideal para exames da pelve (avaliação do controle de consolidação e luxação) e, assim, melhorar o manejo do paciente.

Perguntas: A tomografia de baixa dose da pelve pode ser realizada usando uma dose semelhante à usada em um exame radiográfico padrão? A tomografia tem maior valor clínico do que a radiografia devido à sua melhor delineação de estruturas complexas?

Métodos: Para comparação de doses, foi utilizado um “phantom” antropomórfico com 20 dosímetros termoluminescentes, dois scanners de tomografia computadorizada diferentes e três dispositivos de radiografia convencional. Foram realizados sete protocolos de tomografia computadorizada (incluindo filtro de metal) e quatro diferentes exames radiográficos. Foram comparados cálculos de dose, avaliações objetivas e subjetivas de qualidade de imagem e cálculos de FOM entre as técnicas. Além disso, as imagens obtidas foram avaliadas em um contexto clínico. A correlação intraclasse foi determinada para os resultados subjetivos.

Principais Resultados: Os valores de dose dos protocolos de baixa dose testados, em particular aqueles que utilizam a técnica de filtro de metal, corresponderam ou foram apenas ligeiramente superiores aos valores de dose de imagens de radiografia pélvica convencional obtidas em três incidências. Os exames de tomografia de baixa dose foram classificados como suficientes para o controle de consolidação e tiveram um valor informativo significativamente superior ao da radiografia convencional. A filtragem de metal mostrou os melhores resultados para tomografias com baixa dose em termos de combinação de dose e qualidade de imagem clinicamente relevante.

Conclusão: Neste estudo com “phantom”, a tomografia de baixa dose foi superior à radiografia para visualização e avaliação do anel pélvico dorsal, com exposição à radiação ligeriamente maior ocorrendo quando utilizados os sistemas de tomografia de última geração. A filtragem de metaç pode melhorar a qualidade da imagem, proporcionar redução de dose ou fornecer ambos os benefícios.

Comentários editoriais seniores: Este trabalho destaca que, usando novas técnicas de tomografia, a dose de radiação não está muito longe da radiografia convencional, mantendo as vantagens da imagem tridimensional. Entretanto, custo e disponibilidade do aparelho de TC  são  outras  considerações importantes,   e a custo eficiência  provavelmente melhorará no futuro para um melhor atendimento ao paciente.

Mensagem para os residentes:

  • Visualização do anel pélvico dorsal requer alta dose de radiação na tomografia de rotina
  • Uma alternativa para radiografia é a tomografia de baixa dose.
  • A tomografia de baixa dose demonstra capacidade superior de avaliação do anel pélvico dorsal.

 

Diferenciação de Metástases Vertebrais de depósitos focais de medula óssea vermelha na ressonância magnética (RM): Valor da Fração de Gordura da Densidade de Prótons

Yongjun Jung, MD, Seong Woo Jeon, MD, Kyu-Sung Kwack, MD, PhD, Jae Sung Yun, MD, Han-Dong Lee, M e Sunghoon Park, MD

American Journal of Roentgenology

https://www.ajronline.org/doi/abs/10.2214/AJR.19.22698

Histórico:  Hiperplasia da medula óssea vermelha pode produzir intensidade de sinal igual ou inferior à do músculo em imagens ponderadas em T1, o que dificulta a diferenciação de lesões malignas da medula óssea. Além disso, a hiperplasia nodular focal da medula vermelha pode mostrar captação no PET/CT, mimetizando metástase óssea. A ressonância magnética baseada e no desvio químico é um método emergente não invasivo de avaliação da fração de gordura da densidade de prótons (PDFF), que é um método de imagem quantitativa promissor para estimar a concentração de gordura da medula óssea vertebral. Ele minimiza a influência de fatores de confusão através de um ângulo rotação baixo (para minimizar o viés T1) e técnicas multiecho para corrigir o decaimento T2*, e tem sido usado com um modelo de gordura multipico para quantificar a PDFF.

Perguntas: A PDFF ajudará a diferenciar metástases vertebrais de depósitos focais de medula vermelha?

Design: Estudo retrospectivo

Participantes: O estudo incluiu 44 pacientes com 30 metástases vertebrais e 14 depósitos focais de medula vermelha submetidos à RM da coluna.

Critérios de exclusão: Multiplicidade; lesão muito pequena para que um ROI seja colocado no mapa de fração de gordura; uma lesão acompanhada de fraturas patológicas, destruição cortical, massas peridurais ou de partes moles, ou uma combinação de qualquer um desses fatores; qualidade de imagem insatisfatória ou a presença de um artefato;  realização de quimioterapia ou radioterapia antes da ressonância magnética; ou qualquer combinação dos motivos acima mencionadas.

Métodos: Os diagnósticos finais foram baseados na confirmação histológica, ressonância magnética de seguimento ou PET/CT. Dois radiologistas musculoesqueléticos com 1 e 15 anos de experiência interpretaram independentemente ambos os conjuntos de imagens (ou seja, imagens apenas de ressonância magnética convencional versus imagens de ressonância magnética convencional e PDFF combinadas). Usando uma escala de 5 pontos, os leitores pontuaram sua confiança na malignidade das lesões vertebrais. O desempenho diagnóstico (AUC) dos dois conjuntos de imagens foi avaliado por meio de análises de curvas ROC. Sensibilidade, especificidade e acurácia (para ambos os conjuntos de imagens) foram comparadas usando o teste McNemar. Os coeficientes kappa foram calculados para avaliar a concordância interobservador.

Principais resultados: Ambos os leitores apresentaram melhor desempenho diagnóstico após a adição da PDFF (AUC, 0,840-0,912 e 0.805-0,895 para os leitores 1 e 2, respectivamente). No entanto, a adição da PDFF não melhorou significativamente a sensibilidade e especificidade de nenhum dos leitores (p > .05). A concordância interobservador melhorou significativamente de moderado (κ = 0,563) para excelente (κ = 0,947) após a adição da PDFF.

Conclusão: A adição da PDFF a um protocolo convencional de ressonância magnética melhorou o desempenho diagnóstico para diferenciar metástases vertebrais de depósitos focais de medula vermelha, mas sem resultar em melhora significativa na sensibilidade e especificidade.

Comentários dos editores seniores:

A imagem de desvio químico é muito útil para melhorar a acurácia na diferenciação de lesões de medula óssea maligna de depósitos focais de medula vermelha com melhor confiança do leitor, sendo que esse artigo destaca bem o valor da avaliação quantitativa desses dois processos.

Mensagens para os residentes:

  • A hiperplasia focal da medula óssea vermelha pode ser um fator confundidor ao avaliar lesões ósseas malignas.
  • A PDFF da coluna vertebral ajuda na diferenciação da metástase vertebral da medula hematopoiética.
  • O desempenho diagnóstico melhora com a adição da PDFF, mas sem melhora na sensibilidade e especificidade.

 

Tomografia de Baixa Dose de Corpo Inteiro no Mieloma Múltiplo(MM): Valor diagnóstico dos padrões de atenuação da medula apendicular

Vassilis Koutoulidis, MD, Evangelos Terpos, MD, Ioanna Klapa, MD, George Cheliotis, MSc, Ioannis Ntanasis-Stathopoulos, MD, Andriani Boultadaki, MD, Maria Gavriatopoulou, MD, Efstathios Kastritis, MD, Meletios A. Dimopoulos, MD e Lia A. Moulopoulos, MD

American Journal of Roentgenology

https://www.ajronline.org/doi/abs/10.2214/AJR.20.23204?mobileUi=0

Contexto: Comparado com as radiografias convencionais, a tomografia computadorizada de baixa dose do corpo inteiro é muito mais sensível para a detecção de osteolise em pacientes com MM, é menos demorada e causa muito menos desconforto, especialmente para pacientes que apresentam dor devido lesões osteolíticas, fraturas, impacto nas estruturas neurais ou uma combinação disso. E espaços medulares especiais, como as cavidades medulares do esqueleto appendicular proximal, tecido mole hiperatenuante, seja na forma de nódulos focais discretos ou infiltração difusa, podem estar presentes. Presume-se que tal hiperatenuação pode muitas vezes representar depósitos de mieloma, embora seja muito difícil testar essa hipótese por biópsia. As lesões medulares periféricas são consideradas positivas para mieloma por ressonância magnética e PET/CT se atenderem a certos critérios, como difusão restrita e hipermetabolismo, respectivamente.

Perguntas: Quais são os padrões de atenuação apendiculares na tomografia computadorizada de baixa dose em pacientes com mieloma múltiplo recém-diagnosticado?  Qual é o desempenho diagnóstico da tomografia computadorizada de baixa dose do corpo inteiro na detecção de infiltração difusa da medula?

Design: Estudo retrospectivo

Participantes: Um total de 76 pacientes (idade média, 63,1 anos; intervalo, 37 a 86 anos) incluindo 42 homens e 34 mulheres.

Critérios de inclusão: Mieloma múltiplo recém-diagnosticado por critérios padrão, imagem por tomografia computadorizada de baixa dose e ressonância magnética da coluna vertebral na avaliação inicial, e ambos os exames de imagem realizados no prazo de 21 dias um do outro e antes do início de qualquer tratamento.

Métodos: As cavidades medulares dos fêmures e úmeros foram avaliadas qualitativa e quantitativamente em tomografia computadorizada e a razão de atenuação média e desvio padrão para cada osso longo foi calculada. O padrão de envolvimento da medula na ressonância magnética da coluna foi utilizado como referência. O teste qui-quadrado foi utilizado para avaliar a relação entre o padrão da cavidade medular apendicular baseado na TC e o padrão na ressonância magnética, e a análise ROC foi realizada para avaliar a acurácia diagnóstica das medidas de atenuação na TC para a diferenciação entre padrões difuso e misto na medula óssea apendicular.

Principais resultados: A atenuação medular difere significativamente entre padrões de cavidade medular appendicular mista, nodular e difusa baseada em tomografia nos fêmures e úmeros. Para discriminar entre padrões de cavidade medular appendicular difusa e mista com base na TC, os valores de atenuação de corte ideais foram de 63 HU para os fêmures e 52 HU para os úmeros. Um total de 24 de 30 (80,0%) pacientes com padrão difuso de ressonância magnética apresentaram um padrão difuso na análise baseada na TC de corpo inteiro de baixa dose, e todos os pacientes com padrão  difuso na TC também apresentaram um padrão difuso na ressonância magnética.

Conclusão: De acordo com a análise dos padrões medulares periféricos de atenuação, a tomografia computadorizada de baixa dose do corpo inteiro pode identificar pacientes com mieloma múltiplo com envolvimento difuso de medula.

Comentários dos editores seniores: O aumento da densidade na medula continua um desafio na tomografia de corpo inteiro na diferenciação entre reconversão medular e malignidade. Este trabalho é valioso e no futuro a TC de dupla energia pode avançar ainda mais os conhecimentos neste domínio. A comparação com a ressonância magnética foi um ponto forte do estudo.

Mensagens para os residentes:

  • Em comparação com as radiografias convencionais de corpo inteiro, a TC de corpo inteiro com baixa dose é mais sensível para detecção de osteolise em pacientes com mieloma múltiplo.
  • Padrões medulares de atenuação na TC de corpo inteiro com baixa dose podem ajudar a identificar o envolvimento difuso da medula em pacientes com mieloma múltiplo.

 

Critérios de ressonância magnética para lesões de rampa meniscal do joelho em crianças com roturas do ligamento cruzado anterior

Jie C. Nguyen, MD, MS, Joshua T. Bram, BS, J. Todd R. Lawrence, MD, PhD, Shijie Hong, BS, Tomasina M. Leska, BS, Theodore J. Ganley, MD e Victor Ho-Fung, MD

American Journal of Roentgenology

https://www.ajronline.org/doi/abs/10.2214/AJR.20.23389

Contexto: As lesões da rampa meniscal foram definidas como roturas periféricas verticais longitudinais do menisco medial envolvendo o ligamento meniscocapsular posterior, ligamento meniscotibial e/ou a zona vermelha-vermelha do corno posterior.

Muitas séries de casos que incluíram a maioria dos pacientes adultos demonstram que uma variedade de achados de ressonância magnética, incluindo separação meniscocapsular com ou sem intensidade de sinal semelhante a fluido, irregularidade periférica ou uma ruptura envolvendo o corno posterior do menisco medial, e edema da medula óssea do platô póstero-medial tibial podem ser usados para identificar lesões de rampa. O único relato publicado sobre crianças com lesões de rampa constatou que a ressonância magnética pré-operatória é 23% sensível para identificar lesões meniscocapsulares. Além disso, os achados da ressonância magnética não têm sido sistematicamente comparados entre crianças com lesões de rampa artroscópicas confirmadas e aquelas com junções meniscocapsulares intactas.

A primeira imagem mostra uma ruptura meniscal longitudinal periférica no T2 com supressão de gordura em um garoto de 18 anos com lesão do ligamento cruzado anterior.  A segunda imagem mostra uma junção meniscocapsular normal em uma garota de 17 anos.  A seta aponta para um recesso meniscocapsular normal.

Perguntas: Quais são os achados da ressonância magnética associados a um diagnóstico artroscópico da lesão da rampa meniscal em crianças com lesão do ligamento cruzado anterior (LCA) ?

Design: Estudo retrospectivo

Participantes: 85 crianças submetidas a exame de ressonância magnética pré-operatória e reconstrução do LCA primária guiada artroscopicamente entre 1º de junho de 2017 e 31 de dezembro de 2019.

Critérios de exclusão: Os pacientes foram excluídos se os relatórios cirúrgicos não relatavam explicitamente a integridade da junção meniscocapsular posteromedial, se os pacientes haviam sido submetidos à reconstrução prévia do LCA ou se os exames de ressonância magnética pré-operatória não haviam sido realizados no prazo de 120 dias antes da artroscopia. Também foram excluídos pacientes com deformidade sindrômica ou pós-traumática, histórico de artropatia infecciosa ou inflamatória, idade superior a 20 anos ou exames de ressonância magnética não diagnósticos ou incompletos ou degradados por movimento. Também foram excluídos os exames de ressonância magnética que não incluíam pelo menos uma sequência de pulso sensível a líquido em ambos os planos de imagem axial e sagital.

Métodos: Cegos aos achados artroscópicos, dois radiologistas revisaram todos os exames de ressonância magnética e chegaram a um consenso sobre a presença ou ausência de um derrame e vários achados nas articulações tibiofemorais medial e lateral. Os testes de qui-quadrado, exato de Fisher, t independente e U de Mann-Whitney foram utilizados para comparar os achados de ressonância magnética entre pacientes com e sem lesões meniscais confirmadas artroscopicamente.

Resultados: Na artroscopia, 35 crianças tiveram lesões de rampa e 50 crianças  tinham junções meniscocapsulares intactas. Joelhos nos quais foi observada uma lesão de rampa foram significativamente mais propensos a ter lesões de menisco medial, irregularidade meniscal periférica, hipersinal juncional em t2  e ruptura do ligamento meniscocapsular. Não foi encontrada diferença significativa entre crianças com e sem lesões de rampa no que diz respeito à presença de derrame ou ruptura de menisco lateral ou a extensão do edema ao platô tibial medial ou lateral.

Conclusão: Os achados da ressonância magnética associados a um diagnóstico artroscópico da lesão da rampa meniscal incluem ruptura do menisco medial, irregularidade meniscal periférica, sinal de fluido na junção meniscocapsular  e ruptura do ligamento meniscocapsular.

Comentários dos editores seniores: Obrigado pelo seu trabalho. Embora esses achados tenham sido reportadods anteriormente em imagens de ressonância magnética 2D,  em nossa experiência, a imagem 3D mostra muito bem a extensão da lesão meniscocapsular e lesões meniscais. Usando imagens isotrópicos 3D  reconstruídas no plano axial meniscal,  o leitor também pode medir o comprimento da rotura meniscal, que pode ser significativamente subestimada em imagens 2D.

Mensagens para os residentes:

  • As lesões de rampa estão associadas a lesões do LCA. São lesões meniscocapsulares envolvendo o corno posterior do menisco medial.
  • Lesões de rampa também podem ser vistas em crianças.
  • Cuidado com as lesões de rampa nos joelhos demonstrando lesões associadas:ruptura do menisco medial, irregularidade periférica do menisco e ruptura do ligamento meniscocapsular.

 

Desenvolvimento de danos estruturais definidos pela ressonância magnética após lesão do ligamento cruzado anterior ao longo de 5 anos: O estudo KANON

Frank W. Roemer ,  L. Stefan Lohmander, Martin Englund, Ali Guermazi, Anna Åkesson, Richard Frobell

Radiology

https://pubs.rsna.org/doi/full/10.1148/radiol.2021202954

Contexto: A ressonância magnética é usada para avaliar alterações estruturais nas articulações após a lesão do ligamento cruzado anterior (LCA), mas não há dados de longo prazo disponíveis para comparar diferentes abordagens de tratamento.

Pergunta: Qual é a frequência de danos estruturais nos exames de ressonância magnética aos 2 e 5 anos para uma estratégia de tratamento não cirúrgico versus cirurgia do LCA no estudo KANON ?

Design: Análise secundária de um estudo prospectivo

Participantes: foram incluídos 119 participantes com lesão aguda do LCA. Os participantes foram inscritos de 2002 a 2006, o seguimento de 2 anos começou em 2008 e o seguimento de 5 anos foi iniciado em 2011.

Métodos:  Foi realizado um exame de ressonância magnética de 1,5 T base e no seguimento de 2 e 5 anos. As ressonâncias magnéticas foram lidas de acordo com um instrumento de pontuação validado. Foram utilizados testes de Kruskal-Wallis para avaliar se as frequências de danos estruturais diferem entre os três grupos tratados.

Principais Resultados: Dos 119 participantes, 91 homens foram avaliados. No seguimento de 2 e 5 anos, respectivamente, 13% e 13% dos joelhos apresentaram  incidência de danos condrais tibiofemorais mediais, 11% e 17% de danos condrais na articulação tibiofemoral lateral, e 4% e 8% dos joelhos apresentaram lesões nas cartilagens da articulação patelar. O desenvolvimento de osteófitos foi observado em 23% e 29% dos joelhos na articulação tibiofemoral medial, em 36%  e 43% dos joelhos na articulação tibiofemoral lateral, e em 35%  e 37% dos joelhos na articulação patelofemoral. Não foram encontradas grandes diferenças entre os grupos para incidência de lesão ou agravamento de lesões condrais, lesões de medula óssea e osteófitos aos 2 ou 5 anos. O grupo de reabilitação apresentou menos  sinovite de Hoffa em 2 (P = 0,02) e 5 (P = 0,008) anos.

Conclusão:  Adultos jovens com lesão do ligamento cruzado anterior não apresentaram grande diferença na frequência de danos estruturais nos exames de ressonância magnética aos 2 e 5 anos, independentemente do tratamento. No entanto, o grupo de reabilitação teve menos inflamação aos 2 e 5 anos.

Comentários dos editores seniores: Obrigado por um trabalho interessante. O seguimento até parece de curto a moderado, mas mesmo assim  é um bom trabalho para mostrar que a  reconstrução da LCA pode preservar a integridade da  cartilagem  do joelho.

Mensagens para os residentes:

  • Lesões do LCA levam a anormalidades subsequentes de tecido mole no joelho ao longo do tempo.
  • Pacientes com lesões pós-LCA, atenção especial deve ser prestada ao aspecto da cartilagem no compartimento patelofemoral e nas áreas de carga, bem como sinovite e edema do coxim adiposo.

 

Tomografia Sintética baseada em ressonância magnética na detecção de lesões estruturais em pacientes com suspeita de sacroilite: Comparação com ressonância magnética

Lennart B. O. Jans,  Min Chen,  Dirk Elewaut, Filip Van den Bosch,  Philippe Carron,  Peggy Jacques,Ruth Wittoek,  Jacob L. Jaremko,  Nele Herregods

Radiologia

https://pubs.rsna.org/doi/pdf/10.1148/radiol.2020201537

Histórico: A avaliação das lesões estruturais nas articulações sacroilíacas (SI) pode melhorar a acurácia no diagnóstico de espondiloartrite. No entanto, lesões estruturais, como erosões, são difíceis de avaliar em ressonâncias magnéticas de rotina ponderadas em T1. A tomografia sintética baseado em ressonância magnética(sTC) é uma tecnologia baseada em “deep learning”, realizando ressonância magnética tridimensional (3D) para mapeamento de TC e gerando imagens semelhantes a TC a partir de uma sequência gradiente-eco ponderada em 3D T1.

Perguntas: Qual é o desempenho diagnóstico da Tomografia Sintética (sTC)  na representação de erosões, esclerose e anquilose das articulações SI em comparação com a ressonância magnética ponderada em T1, tendo a TC como padrão de referência?

Projeto: Estudo prospectivo realizado de fevereiro de 2019 a novembro de 2019.

Participantes: Foram incluídos 30 participantes (16 homens, 14 mulheres; média de idade, 40 anos ± 10 [desvio padrão]).

Critérios de exclusão: Os critérios de exclusão foram gravidez, implantes metálicos, contraindicações à Ressonância Magnética e não conclusão do exame de imagem.

Métodos: Os adultos foram encaminhados de um ambulatório de reumatologia de um hospital terciário com suspeita clínica de sacroilite inflamatória. A ressonância magnética e a tomografia das articulações SI foram realizadas no mesmo dia. As imagens sTC foram geradas a partir de ressonâncias magnéticas usando um método de síntese de imagem baseado em “deep learning” comercialmente disponível. Dois leitores registraram independentemente se lesões estruturais (erosões, esclerose e anquilose) estavam presentes em ressonâncias magnéticas, sTC e TC’s em diferentes momentos, com leitores cegos a informações clínicas e outras imagens. O desempenho diagnóstico das ressonâncias magnéticas ponderadas por sTC e T1 foi analisado utilizando-se modelos de equação estimadas generalizadas, com os resultados de consenso da TC como padrão de referência.

Resultados principais: A acurácia diagnóstica da sTC foi maior que a da ressonância magnética ponderada por T1 para erosão, esclerose e  anquilose.   Com a sTC, melhoraram a especificidade para detecção de erosão e sensibilidade para detecção de esclerose e anquilose.

Conclusão:  Com a TC como padrão de referência, a sTC das articulações sacroiálicas apresenta melhor desempenho diagnóstico na detecção de lesões estruturais em indivíduos com suspeita de sacroilite em comparação com a ressonância magnética ponderada de T1 de rotina.

Comentários dos editores seniores: Obrigado por esse novo trabalho. Ela valida a utilidade crescente da tomografia sintética. Embora as erosões podem estabelecer ou auxiliar no diagnóstico de espondiloartrite axial, deve-se ainda procurar edema de medula óssea ou realce para identificar atividade de doença para o manejo adequado do paciente.

Mensagens para os residentes:

  • Alteraçõess estruturais (erosões) identificadas nas articulações sacroilicas são um componente importante no diagnóstico de suspeita de sacroilite
  • A tomografia sintética re-construída a partir da ressonância magnética melhora o diagnóstico de erosões estruturais nas articulações sacroilíacas em pacientes com sacroileite.

 

Lesões no ligamento colateral ulnar da primeira articulação metacarpofalangeana: prevalência de lesões associadas em radiografias e ressonância magnética (MR)

Sebastian Manneck, Filippo Del Grande  & Anna Hirschmann

Skeletal Radiology

https://link.springer.com/article/10.1007%2Fs00256-020-03575-w

Histórico: O ligamento colateral ulnar (LCU) é o estabilizador primário da primeira articulação metacarpofalangeana (MCF) durante o estresse valgo. Lesões do LCU normalmente ocorrem como resultado da hiperabdução. As lesões do LCU ocorrem mais comumente na inserção distal e o coto tendíneo pode estar deslocado. Recomenda-se a terapia cirúrgica se o deslocamento for superior a 3 mm e necessário se o deslocamento for proximal à aponeurose adutora, também conhecida como lesão de Stener.  Uma lesão mal diagnosticada ou mal tratada pode resultar em instabilidade articular, levando a incapacidade e dor significativas e pode provocar osteoartrite precoce da primeira articulação MCF. Os ligamentos volares da primeira articulação MCF reforçam a cápsula volar profundamente ao tendão flexor. Três componentes compreendem os ligamentos volares: os ligamentos  “em rédea” ulnar e radial, os ligamentos falangoglenoide ulnar e radial, e as fibras intersesamoides transversais; este último também é conhecido como a placa volar.

A seta branca na imagem (a) aponta para a lesão de Stener  – o coto distal deslocado que está retraído proximalmente e fixado em torno da aponeurose adutora ( sinal do ioiô). A imagem sagital demonstra a ruptura completa concomitante dos ligamentos volares, “em rédea’ (seta preta) e  os ligamentos falangoglenoides (seta branca).

Perguntas: No seguimento das lesões agudas do LCU, qual é a prevalência de achados associados na primeira MCF na radiografia e RM?

Design: Estudo retrospectivo

Critérios de inclusão: Foram incluídos neste estudo os pacientes com indícios de estiramento ou ruptura do LCU em imagens de RM, intervalo de tempo de até 6 semanas entre radiografias e RM, e imagens no prazo de 2 meses após o trauma.

Critérios de exclusão: Três pacientes foram excluídos pelos seguintes motivos: dois por terem intervalo de tempo superior a 2 meses entre imagem e trauma e um por qualidade de imagem insuficiente na RM

Participantes: 25 pacientes com lesão da LCU na RM.

Métodos: A presença de lesões associadas aos ligamentos volares (ligamentos “em rédea”, falangolgenoides  e placa volar) foi avaliada de forma independente em radiografias e RM por dois radiologistas musculoesqueléticos. O teste de Wilcoxon foi utilizado para comparar frequências de lesões entre ambas as modalidades (p < 0,05). A variabilidade interobservador foi calculada.

Principais Resultados: Roturas completas do LCU (48%/60%, leitor 1/2) foram mais comuns do que roturas parciais (24%/16%) na ressonância magnética. O deslocamento do LCU ≥ 3 mm foi detectada em 40%/56% na ressonância magnética. As fraturas por avulsão do LCU foram mais frequentemente observadas na ressonância magnética (28%) em comparação com as radiografias (12%) para leitor 1. As lesões associadas por avulsão do ligamento falangoglenoide foram evidentes em 12%/8% nas radiografias e em 80%/76% na ressonância magnética. Quase todos os pacientes (100%/79%) com uma ruptura deslocada do LCU mostrou uma lesão ligamentar volar concomitante; e até dois terços (66%/72%) das roturas não deslocadas do LCU teve uma lesão nos ligamentos volares. A concordância interobservador foi moderada a excelente (κ = 0,60-1.0).

Conclusão: As lesões do LCU são frequentemente associadas a lesões dos ligamentos volares, mesmo em graus menores.

Comentários dos editores seniores: Obrigado pelo trabalho interessante. Seria  mais  interessante no  futuro  correlacionar  tais  lesões com a instabilidade articular,  desenvolvimento da lesão de Stener, achados cirúrgicos  ou seu impacto no prognóstico dos pacientes.

Mensagens para os residentes:

  • O ligamento colateral ulnar é o estabilizador primário da força em valgo na primeira articulação MCF.
  • Um grupo complexo de ligamentos volares mantêm a estabilidade do LCU – ligamentos “em rédea”, falangoglenoides e ligamentos da placa volar
  • As lesões do LCU também envolvem o complexo dos ligamentos volares, por isso avalie o complexo volar.
References
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